Sporting Clube Olhanense

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Editorial de 15 de junho de 2021

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Editorial da edição N.º 1253 do jornal de 15 de junho de 2021

Depois de mais um desaire, que futuro?

O Sporting Clube Olhanense é, como sabemos, um Clube com 109 anos de vida, que tem um historial dos mais brilhantes do nosso futebol. Salvaguardadas as devidas dimensões, chegaremos à conclusão de que o Olhanense pode, em termos de palmarés, ombrear com muitos deles. Dos títulos conquistados, avulta o de Campeão de Portugal e finalista vencido da Taça de Portugal, entre tantos outros que nos abstemos de quantificar.

É com este princípio de raciocínio, se outros não bastassem, que sempre lutámos pelo respeito e pela exaltação que devemos emprestar a este Clube a quem a nossa Cidade tanto deve.

O Olhanense sempre foi amado pelos olhanenses que idolatraram quem o representou e quem, quantas vezes com o sacrifício da vida particular e das suas famílias o dirigiu, trabalhando arduamente para que seja aquilo que sempre foi, o tal Clube respeitado que onde se deslocava era acolhido de uma forma tão fraternal que até impressionava. A este propósito, recordamos aqui uma episódio que nos foi relatado por um antigo dirigente do Sporting Clube Farense, infelizmente já falecido, que era um dos mais carismáticos que serviu o Clube da Capital algarvia: Tendo o Olhanense sido convidado para um jogo de futebol a realizar no Estádio de São Luís, em Faro, cuja receita revertia totalmente a favor do Instituto D. Francisco Gomes, vulgarmente conhecido por “Casa dos Rapazes”, os jogadores do Olhanense chegaram à Capital Algarvia “comandados” pelo então dirigente Marcelino Jorge e dirigiram-se à bilheteira do Estádio adquirindo cada um o respectivo ingresso, entrando no São Luís pela porta da bancada. Esse senhor, alto dirigente do Farense, assistiu a esta atitude e ficou tão sensibilizado que passados muitos anos, quando nos recordou este episodio, uma lágrima lhe aflorou aos olhos.

São estes pormenores que fazem do Olhanense um Clube diferente, um Clube que para além das vitórias conquistadas no campo, a forma de estar dos seus dirigentes e de todos os que defendem as suas cores lhe confere um misticismo que só encontra paralelo em poucos outros seus iguais.

Esta introdução pode parecer despropositada para o momento que o Clube atravessa, onde uma Sociedade Anónima Desportiva que desde o primeiro momento foi dirigida por pessoas que naturalmente não conheciam os princípios que norteiam o Clube e as suas gentes, mas não cuidaram de se inteirar disso e, por isso tomaram atitudes perfeitamente disparatadas que não se coadunam com o espirito Olhanense, desde logo a celebre decisão de jogar no Estádio Algarve, tomada à revelia do Clube, num manifesto desprezo pelo Estádio José Arcanjo, que tanto sacrifício e tanto custou à tesouraria do Olhanense. Foi aqui que começou a debandada e o desastre que havia de marcar o futuro do antigo Campeão de Portugal. A essa administração outras se seguiram e todas pautaram a sua forma de estar pelo mesmo diapasão. Quiseram distancia do Clube, ninguém conheciam, nem queriam conhecer e assim as relações foram esfriando de tal forma que hoje, em termos institucionais, estão reduzidas a zero.

Na actualidade tudo continua na mesma e a actual administração carrega nos ombros o peso dos sucessivos desaires, pois de desaires se contam os anos da actividade da SAD. Parece viver-se em função do insucesso, do enredo e das promessas que não se cumprem. Não se vislumbra qualquer possibilidade de entendimento financeiro, desportivo ou pessoal, mas vendem-se sonhos perfeitamente irreais de um futuro que não chega, como se de realidades se tratassem e, quais vendedores de ilusões, apregoa-se aos quatro ventos que a cura está iminente, que a crise é passageira, quando afinal a “doença” agrava-se com o rodar dos tempos.

Enquanto isso, quem dirige o Clube não dorme na procura de soluções que possam viabilizar a sua existência, mas o isolamento a que está obrigado, por via de uma falsa altivez que a SAD julga ter, mas que não tem, impedindo o Clube de tomar decisões que visem a viabilidade desportiva e financeira que há muito procura.

É tempo de dizer basta, mas isso têm de ser os sócios a fazê-lo, em lugar próprio, ou seja, na Assembleia-Geral, com a frieza que comanda as grandes decisões. Por agora, se nos contentarmos em disputar a quarta divisão, é certo e sabido que, tomando como exemplo o que tem acontecido, arriscamo-nos a ir parar aos Distritais.

 

A Redacção

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