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Presidente Manuel Cajuda distinguido pela ANTF

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O presidente Manuel Cajuda distinguido pela Associação Nacional de Treinadores de Futebol

Há homens que pertencem à sua terra como o sal pertence ao mar. Manuel Cajuda Ventura de Sousa é um deles. Nascido em Olhão, 74 anos de idade, actual presidente do Sporting Clube Olhanense, foi distinguido no passado dia 14 de Janeiro com o Prémio Carreira da Associação Nacional de Treinadores de Futebol, uma honra que não se esgota nele próprio e que se estende, por inteiro, a todos os olhanenses.

Cajuda, nome que dispensa apelidos no mundo do futebol, começou cedo o seu percurso, ainda nos juniores do Olhanense, na época de 1967/68. Como jogador sénior, repartiu-se entre o clube da sua terra e o Sambrazense até 1975/76, fixando-se depois no Sporting Clube Farense, onde viria a terminar a carreira já como treinador-adjunto, na temporada de 1983/84. O salto definitivo para treinador principal acontece no Olhanense, em 1985/86, como que a fechar um círculo afectivo e simbólico que nunca mais deixou de o acompanhar.

Seguiu-se uma carreira longa, intensa e marcada por sucessos, com passagem por clubes como o Vitória de Guimarães, Sporting de Braga, Portimonense, Marítimo, e União de Leiria ou o Belenenses, mas também o Olhanense, levando ainda o seu saber e a sua personalidade a outras geografias do futebol, em experiências internacionais no Zamalek, no Egipto, ou no Chongqing, na China. Por onde passou, deixou sempre mais do que resultados: deixou a sua marca.

Figura singular e profundamente respeitada no futebol português, Manuel Cajuda nunca foi apenas um treinador. Foi e continua a ser um homem de palavra fácil, pensamento livre e personalidade forte. Alguém que viveu o futebol com frontalidade, cultura e humanidade. As suas conferências de imprensa tornaram-se quase lendárias, não pelo ruído gratuito, mas pela densidade das ideias, pela ironia inteligente e pela coragem de pensar o jogo para além da superficialidade do resultado imediato. Cajuda falava e continua a falar, de futebol como quem fala da vida: com convicção, memória e sentido crítico.

Nunca procurou o brilho fácil nem o estrelato fugaz. Preferiu a coerência, a dignidade profissional e o respeito profundo pelo jogo e por quem o joga. Motivou jogadores em contextos difíceis, construiu identidades colectivas onde poucos acreditavam e provou, vezes sem conta, que o futebol também se faz de palavras, ideias e valores.

A distinção agora atribuída pela Associação Nacional de Treinadores de Futebol representa, por si só, muito mais do que o reconhecimento de uma carreira desportiva. É uma homenagem ao homem, ao pensador e à voz livre que Manuel Cajuda sempre foi no panorama do futebol nacional. Um treinador que nunca teve medo de ser diferente e que ajudou a elevar o discurso, a reflexão e a dignidade da profissão.

Mais do que classificações ou troféus, Cajuda ofereceu-nos um percurso feito de pensamento, memória e autenticidade. E isso, tal como a sua ligação a Olhão, é coisa que o tempo não apaga.

Parabéns, Presidente.

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